Prazer, Renata Kennedy

Antes de existir a Epopeia, existia uma mulher tentando descobrir até onde poderia ir.
Eu estava vivendo um daqueles momentos em que, por fora, tudo parecia estar no lugar. Por dentro, eu sentia cada vez mais que estava me afastando da vida que queria viver. Depois de anos como imigrante na Irlanda, a rotina que um dia representou uma conquista começou a parecer pequena demais para tudo o que eu ainda queria experimentar.
E para iniciar o ano, planejei uma viagem sozinha e fui parar na Rússia! Enquanto caminhava sozinha por São Petersburgo, com a liberdade de ser responsável pelos meus próprios caminhos,uma pergunta que já estava latente dentro de mim gritou ainda mais alto: até onde eu poderia ir se parasse de esperar pelo momento certo?
Vieram outras viagens solo, cada vez mais guiadas pela minha própria curiosidade: Finlândia, Estônia, Geórgia, Uzbequistão, Quirguistão, Cazaquistão, Tunísia…
Conhecer esses lugares por conta própria foi transformador. Aos poucos, fui percebendo o quanto ainda somos ensinadas a olhar para o mundo com cautela, antes mesmo de pensar em explorá-lo.
Foi desse desejo que nasceu a Epopeia.
Para lembrar que o mundo não deveria parecer tão distante de nós quando somos mulheres. Existem lugares esperando por nós, histórias que ainda não conhecemos e diversas versões nossas que podemos acessar.
Há um mundo inteiro do outro lado daquilo que nos ensinaram a temer.
A Epopeia existe para atravessá-lo juntas.



